Quarta-feira, 15h. Meu celular tocou. Número privado.
-Oi gata, te acordei? - Uma voz masculina do outro lado.
-Não amor, tô acordada desde cedo, pode falar. - Respondi.
Naquele dia levantei umas 7:30h. Tomei café, fui para academia, passei no mercado, participei da terapia em grupo online enquanto organizava a casa, fiz almoço, arrumei o pequeno (filho), levei para creche, e enfim fui para meu local de atendimento.
Estava fazendo um trabalho do curso enquanto aguardava algum programa surgir...
-Tá livre agora? Afim de um vinho ou whisky? Alguma droga? - O homem continuou.
-Tô livre meu anjo, pode ficar a vontade para beber e usar o que quiser, não vou te acompanhar pois tenho aula mais tarde.
-Falta aula então.
-Poxa, realmente não posso. Já faltei mais do que devia na última semana, realmente preciso ir pra aula hoje. (E é verdade)
-Chata pra caralho hein - E desligou. Assim, do nada.
Eu dei risada, claro. Sei que não é nada pessoal comigo o comportamento desse moço.
Mas isso me fez pensar, mais uma vez, no quanto muitas pessoas tem uma ideia errada sobre acompanhantes/garotas de programa.
No imaginário de uma galera, prostitutas são mulheres promíscuas, malucas, drogadas, sem vida, sem rotina, sei lá!
São poucas as pessoas que conseguem enxergar a prostituição como uma profissão, uma escolha, enfim.
Achei engraçado o cara me achar chata por não querer beber whisky às 15h da tarde no meio da semana.
Talvez a alguns anos atrás eu até topasse a proposta... Mas hoje vejo que a vida só flui quando eu tomo controle daquilo que me cabe (meu próprio comportamento, minhas ações, enfim). Se eu aceitar TODA proposta que aparece, visando SÓ o dinheiro, o controle já não estará nas minhas mãos.
De vez em quando é bom sacudir as gaiolas... Já fiquei totalmente careta por um tempo, mas não combinou tanto comigo hahaha
Ontem mesmo fui pra boate, e talvez hoje irei novamente. Não é meu foco ir direto, pois como falei no último post, é cansativo pra caramba e com o tempo torna-se estressante (dorme pouco, bebe sempre, mistura mil energias). Mas preciso levantar um dinheiro, e o movimento não foi aquela maravilha nessa última semana, enfim.
Vou pra boate trabalhar, é claro. Mas já que estou lá, por que não aproveitar e me divertir? Beber umas doses, dançar até o chão e soltar aquele lado apocalíptico propício para o ambiente!? Aí sim, eu reservo aquele momento pra isso.
É questão de equilíbrio, entender que a MINHA vida não funciona se todo dia for bagunça, e tá tudo certo.
O pensamento dos outros é apenas isso: o pensamento dos outros. Mas confesso que é bom quando a gente consegue quebrar algum paradigma.